Domingo, 27 de Maio de 2012

Ainda o controlo da Alimentação...e do Mundo

Na Europa:

A UE proibiu a França de banir os organismos genéticamente modificados OGM.
Após os legisladores franceses terem decidido proibir o milho genéticamente modificado da Monsanto, por causa dos perigos para a saúde pública e ambientais, a União Europeia resolveu intervir e proibir a França de boicotar os OGM . Isto não é de admirar quando se sabe que o embaixador dos EUA na França, um parceiro de negócios de GW Bush, Craig Stapleton, declarou em 2007 que os países europeus que se opusessem aos transgénicos da Monsanto, iriam ser penalizados e foi longe ao ponto, de  ameaçar com "guerras militares comerciais". Craig Stapleton disse ainda: "A equipa de Paris precisa de elaborar uma lista de alvos, para que haja retaliação em caso de que esses mesmos países causem mossa ou contratempos a todos os outros Países da UE, uma vez que é um assunto de responsabilidade colectiva. A lista deve ser sustentável a longo prazo, mas não se deve esperar uma vitória antecipada. Usando a retaliação, deixaremos claro que o caminho actual terá custos para os interesses da  UE e assim reforçaremos as vozes dos mecanismos europeus pró-biotecnologia."

Diplomatas e políticos dos Estados Unidos trabalham directamente para a Monsanto, e promovem a agenda da empresa em todo o mundo. É de admirar que a França esteja a ser  agredida pela UE na sua decisão de garantir a saúde dos seus cidadãos?


Tudo se torna mais evidente, quando A European Food Safety Authority (EFSA) interviu e rejeitou a decisão da França, alegando que "não há evidências científicas" que mostrem "risco para a saúde humana e animal, ou do meio ambiente." Claro que há uma enorme quantidade de pesquisas a mostrar o que as criações da Monsanto fazem na verdade, ameaçando não só a saúde humana, mas o planeta como um todo. Mesmo a EPA, alertou sobre o facto de que os cultivos transgénicos da Monsanto, são a causa de desova insectos resistentes 'mutantes' e, posteriormente, exigindo pesticidas substancialmente muito mais potentes e perigosos- ultra tóxicos. Ainda de salientar a extinção de insectos polinizadores como as abelhas e as tão simpáticas joaninhas.



No Brasil ainda há esperança:


O Mercado Popular de Alimentos foi impedido de comercializar produtos oriundos da agricultura camponesa pelo Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento (MAPA) na manhã desta quinta-feira (24/05), em São Gabriel da Palha-ES.
Foram esvaziadas bancas e congeladores, e os produtos foram lacrados e armazenados no depósito do mercado. Os técnicos levaram amostras para a realização de uma análise da qualidade sanitária dos alimentos. Cerca de 30 litros de cachaça, 20 litros de vinho de jabuticaba e 200 kg de poupa de frutas foram impossibilitados de serem vendidos pelos camponeses.

 O dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores,  alega que a sanidade dos alimentos é na verdade uma questão de barreira de mercado. “Há inúmeros escândalos como a soda cáustica usada no leite, as adulterações nas bebidas alcoólicas, a contaminação de vários alimentos por uso de agrotóxicos, os transgênicos e muitas outras coisas que inviabilizariam o consumo humano” questionou a dirigente do MPA, ao defender que por trás do falso discurso higienista, grandes corporações transnacionais lucram com o modelo químico de produção e as doenças dele decorrentes, pois são as mesmas empresas que produzem a doença e a saúde.


“Para isso haverá embates, mobilizações e enfrentamentos. Não queremos impor nosso modelo, queremos dialogar com a sociedade e apresentar alternativas ao que está estabelecido. É a população que tem que decidir por entre um produto legalizado, cheio de veneno, transgênico, contaminado, cancerígeno ou, um produto camponês, artesanal, produzidos em bases agroecológicas, que não põe em risco a saúde de quem se alimenta, que não desrespeita o meio ambiente, e que por isso, é perseguido pelo sistema. Contamos com o envolvimento da sociedade na busca por alimentos saudáveis”, apostou.
(*) Matéria reproduzida da página do Movimento dos Pequenos Agricultures (MPA).

Sábado, 26 de Maio de 2012

"Controla a alimentação e controlarás o Mundo"

93% da variedade de alimentos foi extinta em 80 anos.


Um infográfico alarmante, criado por John Tomanio da National Geographic, mostra, através de uma metafórica árvore, como em apenas 80 anos, 93% da variedade de sementes desapareceu. Embora o gráfico esteja baseado em informações dos Estados Unidos, é bem provável que algo muito parecido também possa ser observado no resto do mundo.
De acordo com o infográfico, em 1903 existiam 497 espécies de alface, por exemplo, e em 1983 essa diversidade não passava de 36. O mesmo, ainda que em menor escala, pode ser observado com outras hortaliças, como ervilhas, tomates, milho, beterraba, rabanetes, repolho etc.

Interferindo com o equilíbrio natural

Isso se deve, principalmente, à industrialização da agricultura combinada à modificação genética de sementes. Com uma população mundial que não para de crescer — e comer —, fomos obrigados a aumentar cada vez mais a produção de determinados produtos para sustentar a crescente demanda de alimentos.
O ciclo natural autossustentável de colheitas que existia naturalmente foi substituído por monoculturas. Esse tipo de cultura faz com que o solo vá perdendo os seus nutrientes pouco a pouco, e o uso de fertilizantes para corrigir esse problema também pode causar o seu desequilíbrio químico e tornar as plantas mais vulneráveis a pragas e doenças.
Felizmente, parece que a preocupação com relação a esse problema vem despertando nos consumidores a consciencalização de que alguns hábitos precisam ser mudados e que novas opções devem ser postas à prova, embora muito ainda precise ser feito nesse sentido.
 Tradução:    Revellati Online 

O título é uma frase de Kissinger.

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Digam olá à ditadura económica europeia

Catastroika


O novo documentário da equipe responsável por Dividocracia chama-se Castastroika e faz um relato avassalador sobre o impacto da privatização massiva de bens públicos e sobre toda a ideologia neoliberal que está por detrás.


Catastroika denuncia exemplos concretos na Rússia, Chile, Inglaterra, França, Estados Unidos e, obviamente, na Grécia, em setores como os transportes, a água ou a energia.


Produzido através de contribuições do público, conta com o testemunho de nomes como Slavoj Žižek, Naomi Klein, Luis Sepúlveda, Ken Loach, Dean Baker e Aditya Chakrabortyy. 


De forma deliberada e com uma motivação ideológica clara, os governos daqueles países  estrangularam serviços públicos fundamentais, elegendo os funcionários públicos como bodes expiatórios, para apresentarem em seguida, a privatização como solução óbvia e inevitável.


Sacrifica-se a qualidade, a segurança e a sustentabilidade, provocando, invariavelmente, uma deterioração generalizada da qualidade de vida dos cidadãos.


As consequências mais devastadoras registram-se nos países obrigados, por credores e instituições internacionais (como a Troika), a proceder a privatizações massivas, como contrapartida dos planos de «resgate».


Catastroika evidencia, por exemplo, que o endividamento consiste numa estratégia para suspender a democracia e implementar medidas que nunca nenhum regime democrático ousou sequer propor antes de serem testadas nas ditaduras do Chile e da Turquia.


O objectivo é a transferência para mãos privadas da riqueza gerada, ao longo dos tempos, pelos cidadãos.
Nada disto seria possível, num país democrático, sem a implementação de medidas de austeridade que deixem a economia refém dos mecanismos da especulação e da chantagem — o que implica, como se está a ver na Grécia, o total aniquilamento das estruturas basilares da sociedade, nomeadamente as que garantem a sustentabilidade, a coesão social e níveis de vida condignos.


Se a Grécia é o melhor exemplo da relação entre a dividocracia e a catastroika, ela é também, nestes dias, a prova de que as pessoas não abdicaram da responsabilidade de exigir um futuro. Cá e lá, é importante saber o que está em jogo — e Catastroika rompe com o discurso hegemônico omnipresente nas mídias convencionais, tornando bem claro que o desafio que temos pela frente é optar entre a luta ou a barbárie.


"Se deixas a regulamentação dos recursos na mão dos privados serás escravizado. A regulamentação é a aplicação prática da democracia, a forma como nós  público, controlamos democráticamente os negócios monopolistas,  para que possamos controlar os grandes grupos económicos, de forma que não nos controlem  eles a nós. Como já controlam o Estado em vários  Países da UE, os prejuízos vão para os contribuintes (Estado) e os lucros revertem para esses grupos"
"As Universidades são avaliadas não pelo nível de qualidade de Educação que proporcionam, mas de acordo com quão atractiva é essa Educação para o mercado". "As Universidades supostamente públicas, estão a ser obrigadas a adaptar-se aos mercados, são agora empresas para gerar lucros. O objectivo primordial é vender Educação e a Educação não é uma mercadoria, mas um direito dos cidadãos."
"A Europa está a começar o seu período de trevas com a privatização da água, dos recursos energéticos e dos transportes. Serviços de infra-estruturas e manutenção muito dispendiosos e há muito tempo financiados pelos cidadãos contribuintes."


 Do blogue: Burgos (Cãogrino)

"Unidos" eles caem: A Grexit assombra a eurozona em conflito

A eurozona em conflito procura conciliação enquanto é assombrada pelo espectro do Grexit (Greece's exit) – a saída da Grécia da eurozona.

Exactamente na conclusão da cimeira do G8 o esforço de conciliação produziu um entendimento ad hoc e o testemunho foi uma Angela Merkel isolada. Uma linha divisória mais profunda atravessava todo o comunicado que a cimeira emitiu.

Agora, quando o espectro da Grexit parece maior, Merkel & Co. está a ventilar um plano para um divisor de águas mais pequeno e uma união mais forte. Jörg Asmussen, o ex-vice-ministro das Finanças alemão e actualmente o membro alemão no Banco Central Europeu, um porta-voz de Merkel, lançou a ideia de uma união política e financeira federalizadas dentro da UE: uma eurozona politicamente integrada dividindo a União em duas, com o núcleo formando uma "união bancária, fiscal e política", do abandono temporário dos seus planos de expansão nos Balcãs e na Turquia e com um Parlamento Europeu a exercer poderes mais vastos.

Será isto o sonho do capital alemão? A ideia mostra simultaneamente aspirações e limitações de uma secção do capital na Europa que aspira ser dominante mas a que falta o poder para dominar. Materializar o plano é agora uma tarefa quase impossível.

Merkel encontra-se cada vez mais isolada, um espectáculo de desunião, se bem que represente um capital inflexível para impor o seu diktat sobre os fracos – presas do poderoso capital. Na cimeira do G8, Barack Obama estendeu uma mão amistosa sobre o ombro de François Hollande, o presidente socialista francês.

Nas próximas reuniões formais e informais na Europa, Hollande posicionar-se-á mais próximo de Mario Monti, o dirigente italiano. E David Cameron desempenhará o papel de segundo violino, o qual será por vezes insignificante e em outras vezes não soará suavemente nos ouvidos de Merkel.

Hollande pressionará os alemães a aceitarem a ideia de medidas de crescimento e eurotítulos. Mas isso não é aceitável para os alemães. Herman Van Rompuy, o presidente do Conselho Europeu, parecia dar apoio à agenda alemã ao passo que a Itália e a Grã-Bretanha espera-se que apoie Hollande.

Isto testemunha o novo isolamento de Merkel na Europa, fracturas no continente e interesses conflitivos que o capital dominante não consegue unir.

A cimeira do G9 encontrou uma Merkel aparentemente inflexível. Mas a opção de Obama era a conciliação pois ele precisava daquela postura. A posição alemã traz o risco de agravar a crise europeia que por sua vez pode aumentar o número de desempregados nos EUA. Obama não pode permitir que o número avance antes da sua viagem eleitoral. Cameron tentou actuar como conciliador entre partes em conflito. A aliança anglo-americana em conjunto contrariou a posição de Merkel. Ela teve de fazer uma retirada.

A líder alemã considerou que não era assunto do G8 dizer aos estados da UE o modo de tratar da sua economia. Mas o comunicado da cimeira reiterou o direito do super-grupo de discutir o estado da economia europeia e a oposição alemã foi ultrapassada. O super-grupo assinalou: a Europa ainda não é um domínio alemão.

O comunicado comprometeu o G-9 a "dar todos os passos necessários" para fortalecer suas economias. Ele dizia: "a Grécia deveria permanecer na eurozona".

No seu parágrafo de abertura, o documento oficial declarava: "Nosso imperativo é promover crescimento e empregos". Por ora, o comunicado apresenta-se como um documento de vitória para Obama e Hollande. Contudo, persistem diferenças em questões políticas.

Os interesses trans-atlânticos e a equação de poder são portanto reflectidos no comunicado. Mas a Grexit continua a perturbar.

A Grexit é uma questão interessante! Ela une e ela divide, produz insegurança e produz teimosia. Atrás de portas fechadas, os actores principais ameaçam a Grécia de expulsão enquanto publicamente asseguram à Grécia a condição de membro na zona. Uma secção está assustada com a Grexit ao passo que outra secção calcula possíveis perdas em caso de saída.

Os interesses diferem pois eles não estão certos do caminho para tratar as questões decorrentes de uma economia doente que está a ameaçar as economias do continente. Um fraco assusta um forte! O medo da reacção em cadeia do síndrome da Grécia está agora a assombrar políticos da eurozona.

Todos os interesses bancários uniram-se para ameaçar os eleitores gregos. Eles agora estão a advertir a Grécia e a manipular políticos gregos de modo a que políticos pró austeridade vençam a próxima eleição. A sua mensagem é directa: votar pelo Syriza, a coligação radical de esquerda que se opõe à austeridade e aos banqueiros [1] , será uma aposta perigosa.

Na tarefa de advertir os eleitores gregos, Cameron deu uma ajuda a Merkel. Em Chicago, disse: "Temos agora de enviar uma mensagem muito claro ao povo da Grécia: há uma opção – vocês podem ou votar para permanecer no euro, com todos os compromissos que assumiram, ou se votarem de outro modo estão efectivamente a votar pelo abandono.

Um drama de negação e afirmação antecedeu a advertência de Cameron. Foi relatado que numa conversação telefónica com Karolus Papoulias, o presidente grego, Merkel sugeriu que a Grécia fizesse um referendo sobre a condição de membro do euro como parte da eleição geral. Mas o porta-voz de Merkel negou a informação. Contudo, o gabinete do primeiro-ministro interino grego Panagiotis Pikrammenos declarou que a chanceler havia apresentado a proposta durante uma conversação telefónica com Papoulias: "É verdade", disse um porta-voz do governo grego.

Cameron e a líder germânica associam-se. O Grexit uniu-os.

Jens Weidmann, o presidente do Bundesbank, advertiu bancos centrais da Europa para não aumentarem a sua exposição à Grécia por causa da incerteza política ali antes das eleições. Será isto o modo de um banqueiro negociar ou pressionar o cliente?

Wolfgang Schäuble, o ministro alemão das Finanças, disse que a Grécia tinha de eleger um governo que continuasse a aderir ao programa internacional de salvamento. "Se a Grécia ... quiser permanecer no euro então eles têm de aceitar as condições. Do contrário não é possível. Nenhum candidato responsável pode esconder isso do eleitorado", disse Schäuble. Ken Clarke, o secretário da Justiça britânico, advertiu: a Grécia enfrentará um futuro desastroso e pode ser forçada a abandonar o euro se votar por "extremistas irritados". Uma instrução directa aos eleitores!

Há mais ameaças aos eleitores gregos. Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, disse que um pacote de resgate de €130 mil milhões obtido em Março junto a credores internacionais não podia ser renegociado. "A Grécia [...] não deveria auto-destruir-se", disse o político alemão. "Queremos que a Grécia permaneça parte da nossa família, da União Europeia", disse José Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia. "Dito isto, a resolução final de permanecer no euro deve vir da própria Grécia". A CE insiste em que a Grécia deve honrar as medidas de austeridade. Juncker, o primeiro-ministro do Luxemburgo, disse: A próxima eleição seria a última oportunidade da Grécia. Se a Grécia deixar de formar um governo que respeite as condições de ajuda financeira acordadas anteriormente com a UE, FMI e BCE, "então está acabada".

Jean-Claude Trichet, o ex-presidente do Banco Central Europeu, argumentou que os estados da eurozona deveriam poder declarar membros da mesma em bancarrota e assumir o comando da sua política fiscal e de gastos. Mas a ideia foi afastada pelo economista Nouriel Roubini como "pondo totalmente em causa a soberania nacional na Grécia e na Itália". [Pode-se agora perceber facilmente o modo como países pobres na periferia são ditados, ameaçados e manipulados, o modo como o seu sentido de honra nacional é pisoteado. Empregados júnior de países do centro dizem a estes países periféricos: "Faça isto."].

As ameaças, advertências, etc revelam o nível mais alto de risco na Grécia, com cerca de €400 mil milhões em débitos externos. "Oficialmente", diz um relato da imprensa, "governos da eurozona dizem que não estão a falar acerca de uma saída grega. Mas há uma história diferente por trás das portas. A reunião de ministros das Finanças em Bruxelas segunda-feira passada ameaçou expulsar a Grécia".

A exacta reação em cadeia da Grexit é desconhecida. Há suposições e temores. De colapso do mercado a reacções políticas adversas, de bancarrotas à recessão, e muito mais.

A crise de dívida soberana europeia também se tornou uma crise bancária
[2] . A Espanha está à beira do precipício. O país pode desencadear um problema maior. A crise foi exacerbada pela revelação de que o défice espanhol é maior do que aquilo que se temia anteriormente, pressionando o seu doentio sector bancário. Merkel intimou seu colega espanhol, o arrogante e conservador Mariano Rajoy, a encontrar-se com ela.


Bancos na Itália e Portugal também estão "solidários". Todos eles estão a enfrentar riscos. Eles podem arrastar para baixo o sistema bancário alemão. A Grã-Bretanha é fortemente exposta à crise. Os EUA não estarão imunes à doença grega. O Fed dos EUA está a ficar cada vez mais preocupado com a situação da Europa.


A agência de classificação Moody's já degradou 26 bancos italianos e 16 espanhóis. Em Março os bancos espanhóis sentavam-se sobre €148 mil milhões de empréstimos podres. A proporção de empréstimos podres de bancos espanhóis subiu para um máximo de 18 anos.


A Fitch colocou bancos cipriotas na classificação de observação negativa. A empresa advertiu que os bancos cipriotas permanecem altamente sensíveis ao risco grego.


Uma perda de confiança nos bancos será catastrófica. O medo de uma corrida bancária em grande escala é alto. As consequências serão graves.


Depósitos em bancos gregos já desceram em quase um terço. Os poupadores gregos estão a retirar euros das suas contas bancárias. Recentemente foram retirados cerca de €900 milhões num único dia. Os bancos gregos, segundo um analista da Moody's, tornaram-se "economicamente insolventes".


O BCE confirmou que um certo número de bancos gregos foi agora cortado das suas operações de refinanciamento.


Indivíduos ricos em países atingidos pela crise estão a transferir milhares de milhões de euros para áreas que consideram mais seguras. Há sinais de que uma secção de franceses ricos está a transferir para Londres.


"E agora", escreve Paul Krugman", "chega o momento da verdade" (“Apocalypse Fairly Soon: The Moment Of Truth In Europe ”, The New York Times, May 18, 2012 )


Designando o euro como um "grande e enviesado experimento em união monetária sem união política" Krugman assume: "O euro como um todo explodiria. As coisas desintegram-se com velocidade espantosa, numa questão de meses, não de ano. E os custos – tanto económicos e, provavelmente ainda mais importantes, políticos – poderiam ser enormes".


Ele reflecte o medo já amplamente verbalizado: "Uma ruptura teria efeitos propagadores por todo o mundo. Os maiores custos do fracasso europeu provavelmente seriam políticos".


O euro foi um dos maiores projectos do capitalismo na Europa. Agora, uma porção significativa do capitalismo europeu – a eurozona – está a lutar internamente, consigo própria. A sua ineficiência intrincada está agora a surgir à vista das pessoas comuns. Isto não é a sua tragédia, é um dos seus atributos. Sonhava abranger tudo e todas as coisas mas não sabe controlar as forças que alimentou e desencadeou. As contradições que o euro está a confrontar agora não foram criadas por ninguém, mas por si próprio. Ele ampliou a extensão e consequências das contradições, para áreas vastas, que atravessam oceanos.


No continente, está barbaramente a travar uma guerra de classe não só contra o trabalho mas também contra a sociedade mais vasta, não só num único país mas em países e, através do continente, está a por em perigo não só países pobres como também os seus aliados de classe – os ricos agrestes (uncouth) – daqueles países pobres. É o seu poder, um poder que pode tentar sobreviver só à custa de outros, inimigos de classe e aliados de classe.


Está a intervir no sistema político de países e está a propagandear a não interferência. Está a ditar países e está a propagandear democracia. Está posicionado numa zona sísmica e está seguro do seu destino.


Grexit, Espanha, Itália, Portugal e desunião-união do euro estão a facilitar novas mudanças nas placas continentais.


22/Maio/2012
Farooque Chowdhury: Economista, autor de numerosos livros , natural do Bangladesh


NR
[1] Nem tão radical nem tão de esquerda, pois defende a continuação da Grécia na UE e na zona euro. A plataforma eleitoral do Syriza é uma contradictio in terminis pois defende em simultâneo coisas incompatíveis. Apregoar falsidades para obter votos não é uma posição séria.  Ver: O chefe do SYRIZA oferece-se para colaborar com a UE
[2] Seria mais correcto formular a frase em termos inversos: a crise bancária é que se tornou uma crise de dívida soberana.

Ver também: O espectro da Grécia , de Octávio Teixeira, 22/Maio/2012 

  • fonte: resistir.info
  • Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

    Nicholas Georgescu-Roegen, economista de génio. O Decrescimento

     Georgescu-Roegen ... merece figurar entre os clássicos, alguns estão reclamando agora as suas teses. O papel central do seu trabalho é o debate actual sobre desenvolvimento sustentável e o crescimento contínuo.

    Considerando os economistas clássicos liberais demasiado mecânicos , Nicholas Georgescu-Roegen ressalta a contradição entre seu ponto de vista da segunda lei da termodinâmica, a lei da entropia - ou seja, a degradação da energia e da matéria - dos recursos naturais para a humanidade - e do crescimento económico sem limites. Nicholas apelou a um decrescimento económico- alguns falam agora de DECRESCIMENTO  sustentável - para reflectir a lei física da entropia.

    Nicholas Georgescu  afirma que o processo económico não é um valor intangível, mas de matéria e energia que se degradam irreversivelmente, a partir de uma baixa entropia até à a alta entropia, durante diversos processos de transformação. Da mesma forma que um cubo de gelo que foi derretido  num copo de água, nunca se tornará  novamente um cubo de gelo. Um computador nunca pode voltar ao material bruto que foi usado para o criar e a energia utilizada para o construir nunca voltará a ser utilizada.

    "O processo económico é uma extensão da evolução biológica e portanto, os problemas mais importantes da economia devem ser considerados sobre este ponto de vista" -
     Nicholas Georgescu-Roegen.


     A Lei da Entropia e o Processo Económico
    "Termodinâmica e biologia são focos necessários para iluminar o processo económico (...)
    A termodinâmica porque demonstra que os recursos naturais se esgotam irrevogavelmente, a biologia, porque revela a verdadeira natureza do processo Económico "
     Nicholas Georgescu-Roegen.

    A Lei da Entropia e o  Processo Económico: Para os partidários desta teoria, têm de se conciliar economia e ecologia, é necessária a reintegração da economia no pensamento científico contemporâneo da revolução industrial e com a da evolução biológica. Isto irá  fornecer uma "iluminação" fecunda e inovadora e implicações práticas  para além da economia.  Destacam ainda a impossibilidade de resolver os problemas ambientais apenas com o progresso científico e tecnológico.

    Considerando a economia liberal  neoclássica demasiado mecânica, Georgescu-Roegen destacou a contradição entre a segunda lei da termodinâmica, a lei da entropia - ou seja, a degradação inevitável após o uso de recursos naturais para a humanidade -e o crescimento físico e económico sem limites. Apelou ainda a um DECRESCIMENTO tendo em conta  a lei física da entropia.

    Alguns críticos consideram que a entropia relativa ao processo económico, terá a capacidade dos efeitos da auto-organização e de capacidade de adaptação, mas isso  é muito mecânico. Georgescu-Roegen mostrou a convicção de que a alegria é o verdadeiro propósito da atividade económica.

    No entanto, há também esta frase de sua autoria em formas concretas de decadência: "A humanidade deverá reduzir gradualmente a sua população até um nível que lhe permitirá ser alimentada  pela agricultura de subsistência. Claro está que as nações experimentando agora um forte crescimento demográfico, terão um difícil esforço, mas necessário para obter mais rapidamente resultados possíveis nesse sentido."

    Esta  fórrmula ou  comentário, é muito estranho se não perturbador. Georgescu-Roegen tinha uma visão pessimista da natureza humana e da vida em geral : "A espécie humana é caracterizada pela existência de conflito social irredutível"..

    Devemos compreender e analisar as palavras de Georgescu-Roegen, ao invés de ignorá-las como os economistas têm feito.  "Sem dúvida, a situação pode mudar de cima para baixo, sem aviso prévio. Mas já que ninguém pode ter a certeza que Prometeu  vai acontecer, ou saber exactamente qual será o seu presente:-  Uma estratégia final é necessária, ou seja, uma conservação bem-planeada. Sómente desta forma teremos mais tempo e optimismo para esperar a descoberta de um novo Prometeu ou, na pior das hipóteses,  deslizar lentamente e sem desastres, para uma tecnologia menos "quente". Obviamente, a última tecnologia poderá ser uma nova Era da madeira, mesmo sendo diferente da do passado, porque o nosso conhecimento técnico é mais extenso hoje.
    Dificilmente poderia ser de outra forma, pois qualquer processo evolutivo é irreversível. E se for necessária para o decrescimento, a profissão de economista vai sofrer uma mudança curiosa: em vez de estarem exclusivamente preocupados com o crescimento económico, os economistas procurarão os melhores critérios para o planeamento da decadência."(Georgescu-Roegen, 1979.)

     No prefácio do livro A Economia Analítica, Paul Samuelson escreveu: "O Professor Georgescu-Roegen é mais do que um economista matemático. É principalmente um economista, e um dos primeiros a rejeitar as alegações de jargão simbólico. Os meandros da produção e a sua marginal  utilidade original, não escapam ao seu exame céptico ... Com uma formação muito superior em  matemática,  é bastante imune às seduções desta e é capaz de manter uma atitude objectiva e realista sobre a sua utilização ...
    Eu desafio qualquer economista informado a permanecer satisfeito consigo mesmo, depois de meditar sobre este ensaio. Este é definitivamente um livro para possuir e saborear."

    "Georgescu-Roegen quis construir uma ponte entre a física teórica e a economia. Lançou-se nesta aventura sozinho, assumindo um risco com a convicção de que não seria  em vão ... Continua a ser um inovador, e como pioneiro sofreu com a sua solidão. Mas talvez agora, os estudiosos se juntem  a ele para continuar seu avanço?"
    Henri Guitton

    "Aparentemente isolado, o trabalho de Nicholas Georgescu-Roegen deve ser entendido como um amplo movimento intelectual de renovação. Faltava um verdadeiro génio anti-economia: esta sobreviverá e tornar-se-á  numa bio-economia. Em primeiro lugar, estar ciente da situação e do nosso conhecimento, se quisermos servir o renascimento que exigimos. O caso Galileu não está fechado; abre-se agora o caso  Georgescu-Roegen: O desafio vale o combate e este será  não-violento, ou não."
    Jacques Grinevald

    O economista americano Herman Daly escreveu em 2007 que muito pouca atenção foi dada ao trabalho de Georgescu-Roegen e seus discípulos e de como estavam à frente do seu tempo.


     http://www.resistir.info/ecologia/daly_08mai12_p.html
     http://classiques.uqac.ca//contemporains/georgescu_roegen_nicolas/decroissance/decroissance.html
     http://fr.wikipedia.org/wiki/Nicholas_Georgescu-Roegen

    Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

    Convulsões na Europa?

    A policia alemã prendeu mais de 400 italianos em Frankfurt na noite de ontem, no segundo dia de mobilização do movimento anticapitalista internacional Blockupy Frankfurt, como parte de uma acção de quatro dias que culmina numa manifestação sábado, contra os planos de austeridade da Europa.

    Os manifestantes afirmaram que a polícia recorreu a espancamentos brutais, mas a polícia rejeita estas acusações. A polícia avançou com canhões de água, cercou o distrito financeiro e começou com a evacuação das áreas ocupadas. Os manifestantes não desistiram continuaram o seu protesto implacável.

    Os oficiais removeram os blocos de manifestantes acampados em algumas áreas do distrito financeiro - como o arranha-céus sede da Goldman Sachs - e dispersou a manifestação de milhares de pessoas. O seu objetivo foi alcançado: "paralisar o distrito financeiro."Os manifestantes também protestaram contra a proibição imposta pelas autoridades para qualquer tipo de protesto. Após terem reclamado em diferentes tribunais, foi finalmente autorizado um único evento, o de amanhã, sábado.
    A policia determinou que os jovens italianos não poderão aproximar-se da área urbana de Frankfurt até às 7h da manhã de sábado, dia estipulado para a mobilização .

     
    "Vamos ficar aqui, nem todos tiveram a ordem de não se aproximar do centro da cidade", disse o activista italiano Luca Tornatore, falando de Frankfurt. Foi um dos italianos detidos e que depois foi solto.  "A cidade está completamente blindada" Afirmou um dos participantes. Cerca de 5000 polícias foram destacados.

    Segundo as autoridades, esperam-se que milhares de manifestantes, incluindo cerca de 2.000 muito violentos venham de  toda a Europa.


    O movimento anticapitalista organizou uma mobilização de quatro dias em Frankfurt, capital financeira da Alemanha, protestando contra a política dos cortes da UE, o desmantelamento do Estado social e dos resgates dos bancos.

     fonte:  Ansa

    Terça-feira, 15 de Maio de 2012

    União Europeia a nova URSS

    Vladimir Bukovsky passou muitos anos em campos de trabalho russos e prisões psiquiátricas por defender os direitos humanos. Chegou à Grã Bretanha em 1976. Dá conferências e escreve sobre o antigo sistema soviético e sobre a UE.
     


    Autorizaram a ocupação de Portugal?



    Existe um EXÉRCITO SECRETO EUROPEU, que também pode ser chamado de FORÇA SECRETA POLICIAL DE INTERVENÇÃO PARA O ESMAGAMENTO DE REVOLTAS NA EUROPA.


    Já se encontra dentro da União Europeia, porém apenas muito poucos sabem disso.
    A força possui os mais amplos direitos, tem de momento 3.000 homens e responde pelo nome de “EURO GENDFOR (EUROPEAN GENDARMERIE FORCE)”, ou seja, TROPA DE POLÍCIA EUROPEIA. O seu comando encontra-se em Vicenza, na Itália, longe do Centro da UE.


    O Parlamento Italiano ratificou (com apenas uma abstenção)a criação da EUROGENDFOR (EUROPEAN GENDARMERIE FORCE), uma espécie de FORÇA SECRETA POLICIAL DE INTERVENÇÃO PARA O ESMAGAMENTO DE REVOLTAS NA EUROPA.


    Quem deu vida a este projecto foi a Ministra da Defesa Francesa, Alliot-Marie, com o objectivo de mais facilmente esmagar levantamentos populares, como os que surgiram  em cidades francesas.
    Esta força, já existente, pode agora ser empregue por toda a União Europeia, anulando os direitos nacionais e as soberanias dos Estados Membros!
    O Tratado de Velsen (Holanda), decidiu de forma inequívoca, que vai ser um CONSELHO DE GUERRA, que vai decidir sobre a sua actuação. Este conselho compõe-se dos Ministérios de Defesa e de Segurança dos países membros da UE, inclusivamente do país onde vai ser aplicado.


    Aos olhos dos observadores trata-se de uma clara manifestação de um DIREITO DE OCUPAÇÃO DA EUROPA. Porque, desde que tenha sido decidido por unidades da EURO GENDFOR a ocupação de edifícios e regiões, ficam estas debaixo da sua alçada, já não podendo sequer ser visitadas pelos organismos oficiais do país a que territorialmente pertencem. De facto, existe assim um DIREITO DE OCUPAÇÃO EUROPEU. Porém, a situação pode vir a piorar ainda mais.




    A EURO GENDFOR não possui apenas os direitos policiais, mas também a competência sobre os serviços secretos, e, pode, em estreita colaboração com forças militares, restabelecer a lei e a ordem nas zonas consideradas convenientes. Em caso de necessidade, deve esta tropa possuir todos os direitos e acessos a todos os meios considerados necessários, para executar o respectivo mandato.



    Os países fundadores são a França, Itália, Espanha, Holanda e Portugal. O respectivo tratado foi elaborado e assinado, no ano de 2007, em Velsen. Em 2008 admitiu-se a Roménia como membro de pleno direito e a Turquia recebeu um estatuto de observador. A Polónia e a Lituânia avançaram em 2007 e 2009, respectivamente, para a posição de “países-parceiros”.


    A sede da EUROGENDFOR, agora chamada “EGF”, é o seu “PHQ” (Permanent Headquarter), com o “ CoESPU” (Centre of Excellence for Stability Police Units”), que inclui uma academia própria, tudo albergado debaixo da US-AIRBORNE-DIVISION.


    A criação da EGF fora do âmbito legal da União Europeia, levou-se a efeito como jogada de xadrez da política globalista, por se recear que países membros da EU não concordassem com a existência de forças militarizadas. Uma vez que a EGF não é considerada juridicamente um órgão da União Europeia, anulou-se assim a hipótese do Parlamento Europeu ter qualquer direito de interferência nas decisões da EGF.
    As operações da EGF podem ser colocadas debaixo das Nações Unidas, da NATO, do Fundo Monetário Internacional, ou de qualquer outra organização que ainda se pretenda “inventar”.


    A EGF foi criada para ser empregue em “Estados terceiros”. Porém, após o “Tratado de Lisboa”, pode também, por sugestão de qualquer membro, ser empregue na sua própria nação ou nas nações vizinhas.
    O seu campo de acção inclui toda a vasta gama da “manutenção da ordem”, incluindo trabalho da polícia criminal, instalação e serviços de aconselhamento a forças policiais locais, vigilância de fronteiras, instalação de serviços secretos de investigação, investigação de provas e aplicação de penas.


    A EGF já foi utilizada no Kosovo, no Afeganistão e, ultimamente, no Haiti (forças de manutenção de paz, por enquanto, equipadas com bastão de borracha e gás lacrimogéneo).
    A grande diferença da EGF em relação a outras forças militares será a sua rapidez de mobilização.
    Quem decide a sua intervenção é o CIMIN, um comité interministerial onde os estados membros da EGF são representados por uma coordenação político-militar. Por enquanto, são a França e a Itália, que possuem uma longa tradição de forças policiais de estatuto militar, quem estão a dominar a organização. Assim, estipulou-se (por enquanto), que um terço dos 15 oficiais no Quartel-general serão membros dos Carabinieri.

    Graças à EURO GENDFOR encontram-se os governos europeus à vontade. Desta forma podem ordenar o abrir fogo contra as próprias populações em caso de demonstrações de massas, colocar regiões inteiras sobre quarentena militar e prender os principais cabecilhas, sem ter de chamar militares, ou polícias, da sua própria nação, visto existir o perigo destes se solidarizarem com os revoltosos.




    A EURO GENDFOR, por sua vez, graças às suas excepcionais atribuições de direitos civis e militares, não pode ser responsabilizada por ninguém.
    Este cenário, que parece incrível, tornou-se  possível através da entrada em vigor do TRATADO DE LISBOA, a Nova Constituição da UE.

    Quando se espreita um pouco para além dos bastidores da política internacional e se vê o que eventualmente se está a preparar, torna-se assustador..
    A União Europeia recebeu como “Presidente da EU”, Herman van Rompuy. (Ver as intervenções de deputados europeus a este respeito no Parlamento Europeu: http://www.youtube.com/watch?v=YWSYMpuCFaQ&feature=related ; http://www.youtube.com/watch?v=8KrOFoq3CQE&feature=related ; http://www.youtube.com/watch?v=bypLwI5AQvY&feature=fvw). 

    Rompuy tinha declarado:
     “THE NATIONS OF THE WORLD NEED GLOBAL GOVERNANCE”. 
    Numa carta memorando, enviada por van Rompuy aos governos momentâneos dos estados membros da União Europeia, chama a atenção para a necessidade da criação de um “new regime of economic governance”.

    Visto haver muitos sinais de que se pretende colocar o Fundo Monetário International acima da União Europeia, parece ter-se criado a EGF não a favor da segurança interna das Nações da Europa mas para impedir aos europeus caminhadas próprias.


    Ao que parece, a EGF está a ser preparada para bater nas cabeças dos europeus que ainda se identificam com as suas pátrias mães e não desejam ser escravos de um sistema global!
    Será que quem amar a sua pátria vai ter que entrar na clandestinidade? 
      

    Fontes: PHI (Politische Hintergrundinformationen) de 26.2.2010, pág. 60.
    http://crisis.blogosfere.it/2011/10/eurogendfor-polizia-della-crisi-lo-dice-la-legge.html
    fonte: http://www.grifo.com.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=293&Itemid=33

    Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

    Austeridade ou crescimento, a alternativa que não resolve os problemas da Europa.



    As políticas de austeridade impostas pelos grandes poderes financeiros por intermédio dos governos da França e Alemanha e do Banco Central Europeu são um fracasso rematado: levaram quase toda a Europa a outra recessão, agravaram o peso da dívida, as assimetrias e a paralisação, estão a destruir a coesão social da Europa e direitos sociais cuja conquista custou décadas de conflitos e lutas, destroem milhares de empresas, criam pobreza e exclusão, produzem um afastamento, quem sabe se definitivo, entre a população e as autoridades públicas, e estão dando asas à extrema direita fascista e neonazi que os banqueiros e grandes industriais sempre açularam em época de crise.



    Não há nenhuma experiência histórica nem evidência empírica que permita afirmar que se possa sair de uma crise como a que estamos (de racionamento financeiro e falta de procura efectiva) com menos gasto, de modo que insistir em reduzi-lo sem ao mesmo tempo tomar medidas que garantam novamente o financiamento e que proporcionem rendimentos adicionais à população consumidora é uma via que só leva à depressão e ao desastre.


    A cegueira ideológica das autoridades políticas e dos economistas que assinalam o caminho impede-lhes de reconhecer esta realidade. E sua submissão aos poderes financeiros (agora só interessados em aproveitar a crise para aumentar seus privilégios) leva-os a insistir em novos cortes, que só servem para que os bancos, especuladores e grandes empresas aumentem seus lucros e um poder já absoluto que está a liquidar as já em si débeis democracias a que se permite o capitalismo da nossa época.


    Os cortes em educação, investigação, inovação, em infraestruturas vitais e em prestações sociais só vão trazer anos de atraso e uma instabilidade sociais de terríveis antecedentes na Europa.


    Tão clara é a evidência de tudo sito que, desde há semanas, começaram a abrir-se gretas nos blocos políticos dominantes e a filtrar-se a ideia de que é imprescindível por fim a esta barbaridade política e económica. A pressão de movimentos sociais, de economistas críticos ou inclusive das personalidades mais sensatas do próprio establishment contribuiu decisivamente para isso e a vitória do socialista Hollande nas eleições francesas possivelmente será o que obrigue definitivamente a por em causa as políticas de austeridade.


    Mas a alternativa que se está a difundir frente a elas é insuficiente e inadequada: a do crescimento. Uma estratégia que já demonstrou poder ser muito perversa e pouco útil se não se explicitar claramente o que implica e aonde queremos que nos conduza.


    CRESCIMENTO NÃO BASTA


    Travar os cortes de despesas públicas e em geral todas as políticas de austeridade que estão a impedir que se regenere o privado e se recupere o pulso económico é uma pré-condição indispensável para que na Europa se volte a criar emprego e para garantir padrões mínimos de bem-estar e protecção a toda a população. Mas trata-se só de uma pré-condição para evitar o desastre. Para conseguir que não se volte a produzir outra crise maior e com piores perturbações e danos do que aqueles que agora estamos a sofrer são precisas mais coisas.


    Não basta fazer com que cresça o Produto Interno Bruto de qualquer forma nem injectar mais dinheiro ainda de qualquer modo.


    Ainda que a crise se tenha desencadeado, visto à superfície, pela desregulamentação financeira e pelos roubos continuados que centenas de bancos efectuaram com a anuência das autoridades, suas causas profundas (aquelas que a tornaram sistémica) e as que tornarão a provocá-la novamente se não forem resolvidas, são outras: a grande desigualdade que deriva rendas incessantes para a especulação financeira, a utilização intensiva e perdulária de recursos naturais e energia que rompe a harmonia básica e os equilíbrios imprescindíveis entre a sociedade e a natureza, e uma degeneração progressiva do trabalho que empobrece a população e o tecido empresarial e que trava a inovação e o incremento da produtividade.


    Sem enfrentar tudo isso, promover novamente o crescimento do produto interno "à bruta", a base de despesa pública e injectando recursos para a criação de mais infraestruturas e para o fornecimento de mais serviços públicos, pode travar a deriva para a depressão na qual nos encontramos, como já ocorreu com os planos de estímulo, mas sem dúvida será insuficiente e terminaria por provocar problemas ainda mais graves do que os que temos.


    O crescimento entendido como um objectivo em si mesmo, sem mais explicitações, medido através de um indicador tão perverso como o PIB e sem ter em conta os custos sociais, ambientais e antropológicos que traz consigo, favorecer a acumulação e voltará a dar bons lucros a certos ramos do capital, além de gerar algo mais de emprego em bem-estar. Mas, nessas condições, estes últimos não serão os suficientes para alcançar níveis mínimos de estabilidade e satisfação social, como demonstra a experiência vivida nos últimos trinta anos, nem com isso se poderá evitar reincidir no vício mais cedo do que tarde.


    O que a Europa precisa não são planos de crescimento do PIB e sim uma estratégia global para a igualdade, o bem-estar e a responsabilidade ambiental baseada na promoção de novos tipos de actividade, de propriedade e de gestão empresarial, na generalização do emprego decente, na utilização sustentável das fontes de energia e dos recursos naturais que modifique radicalmente o actual modelo de metabolismo sócio económico, e na promoção de uma cidadania democrática, plural, participativa e cosmopolita. Em também, passe o paradoxo, baseada na austeridade mas no que esta tem de respeito para com o equilíbrio natural e pessoal e com a boa utilização dos recursos, de recusa do desperdício; mas não de renúncia aos direitos sociais e à igualdade, como entendem os neoliberais.


    E além disso são imprescindíveis reformas políticas institucionais que travem o poder dos grandes grupos oligárquicos e que permitam que as autoridades representativas sejam aquelas que realmente adoptem as decisões em função dos mandatos da maioria social no âmbito de uma autêntica democracia. Sem criar um autêntico poder público na Europa, sem submeter a actuação do Banco Central Europeu às exigências dos interesses sociais e sem acabar com a sua cumplicidade com os interesses bancários privados, sem sanear o sistema financeiro europeu declarando o financiamento da vida económica como um serviço de interesse público essencial, nacionalizando os bancos que não se submeterem e fomentando novos tipos de finanças descentralizadas e de proximidade, sem dispor de um autêntico tesouro europeu e sem recolocar a concepção da união monetária, para não mencionar senão as questões mais urgentes, a Europa continuará a balouçar-se irresponsavelmente à beira do precipício e os apelos ao crescimento só servirão, se me permitem a expressão, pouco mais do que para embebedar o peru e enganar mais uma vez os povos.


    A questão a colocar sobre a mesa na Europa não é se cortamos um pouco menos as despesas e injectamos algo mais de recursos para as mesmas actividades e infraestruturas de sempre (outra vez auto-estradas, habitações, mais comboios de alta velocidade...) e sim se rompemos ou não com o poder das finanças privadas e das grandes corporações empresariais e oligárquicas que nos dominam e que nos levaram à situação em que estamos.


    fonte: resistir.info

    Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

    O Governo Invisível


    A Europa não ficará rigorosamente igual, depois das eleições em França e na Grécia. O príncipe de Lampedusa, n'O Leopardo, dizia ser preciso alterar alguma coisa para que tudo ficasse na mesma. Em França, o "sistema" rotativo, usual nas democracias ocidentais, que foram feitas para ceder à "organização", a ilusão de tábua rasa permanece. A percentagem com que Hollande ganhou a Sarkozy é significativamente escassa. E a ascensão da Frente Nacional reforça a ideia de que os franceses desejam manter o maniqueísmo que faz parte da sua história.

     Apesar do descrédito que o "socialismo" actual arrasta consigo, um pouco por todo o lado, Hollande conseguiu escorraçar Sarkozy. A França da Revolução é, também, a França xenófoba, racista, patrioteira, com sentimentos ambivalentes em relação à Alemanha (lembremo-nos de Vichy e do colaboracionismo) e os reverentes salamaleques de Sarkozy à senhora Merkel deram azo a um mal-estar sintetizado em anedotas e em cartunes devastadores.


    Esta parelha dirigiu a Europa obedecendo a uma ideologia do "governo invisível dos poderosos" [Pierre Bourdieu, Contre-Feux 2], que impôs os seus pontos de vista aos políticos e inculcou métodos de pensamento unívoco. Aqueles dois mais não têm sido do que títeres de um projecto de domínio financeiro, notoriamente totalitário. Neste caso, Hollande, apesar dos constrangimentos que o cercam, pode ser um alívio para a compressão beligerante sob a qual temos vivido.


    O caso grego é mais complexo e estimulante. O povo não quer nada do que se lhe impõe, e o que se lhe impõe é, simplesmente, um acto de servidão e de subserviência. De contrário, ou vai embora do euro ou procederá a eleições sucessivas até que o resultado seja coincidente com as normas. Aqui, o desprezo pela democracia, operado pelo "governo invisível dos poderosos", chega a ser infame e obsceno.
    A insistência dos gregos em lutar contra a fantasmagoria dos "mercados", que impõe implacavelmente as suas leis, abre novas perspectivas de acareamento com o modelo de sociedade que nos infundem. A "pulverização" dos votos torna possível, de facto, uma amálgama de ideologias e de doutrinas antagónicas; porém, esse caos aparente explica o descontentamento geral e justifica, talvez, o aparecimento de uma nova luz nas relações de poder.


    Se a vitória de Hollande talvez descomprima, um pouco, a lógica de tensão que coexiste com a "austeridade" e com a política do quero, posso e mando, o que acontece na Grécia pode, acaso, clarificar a natureza política do projecto neoliberal. Como? Pondo em causa a perfídia doutrinária do "empobrecimento" e da inevitabilidade de passarmos a ser "democracias de superfície", mandadas do exterior por esse inquietante "governo invisível dos poderosos."

     por Baptista-Bastos- fonte DN

    Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

    CO 2 : O novo tráfico de indulgências


    O elemento essencial das indulgências é a cessão a favor de uma pessoa dos méritos realizados por outros. A doutrina básica era que a oração e as boas obras têm um valor acumulável que constitui o "Tesouro da Igreja", uma conta corrente no outro mundo. O depósito inicial seriam os méritos de Jesus, a seguir contribuíram os santos e milhares de conventos e milhões de devotos que elevam suas rezas. Essas santas emissões somaram à igreja uns "milhões de milhões" em misericórdia celestial. A igreja girava sobre essa conta divina a favor dos pecadores que faziam a boa obra de dar à igreja dinheiro soante e deste mundo.

    A História conta-nos como esse truque ávido criou um mercado conhecido como "Tráfico de Indulgências". Um tráfico que foi uma das mais graves acusações esgrimidas pela rebelião protestante e que obrigou a própria Igreja Católica a reformar a utilização das suas indulgências.

    Agora fala-se outra vez do céu e outra vez de indulgências. Os ricos compram uns "Títulos de Carbono", que lhes perdoam as suas emissões e que obrigam os países em desenvolvimento a não aumentar as suas. O efeito é congelar a má repartição da riqueza mundial
    . Como na Organização Mundial de Comércio (OMC), com subsídios à agricultura dos ricos que arruínam a agricultura dos pobres. Mais uma vez os pobres devem salvar o planeta e redimir os pecadores ricos. O pior é que a histeria criada em torno do CO2, um gás benéfico, desvia para um fantasma futuro a atenção que exige a presente e muito real contaminação ambiental.
     

    A verdadeira contaminação ambiental

    O planeta está contaminado e continua a contaminar-se. A culpa é em parte da ignorância, mas a causa maior é a cobiça, o sermão do lucro como fim supremo. O estimular do consumo para ganhar mais e poupar gastos deixando o ar, a terra ou o mar impregnados de resíduos tóxicos. Mineração a céu aberto. Lagos, rios e praias, negras de petróleo. Pesca excessiva. Florestas abatidas para plantações de soja e óleo de palma. Plásticos e resíduos tóxicos lançados ao mar. Lixo indiscriminado. Resíduos tóxicos despejados em aquíferos. Munição radioactiva da NATO provocando bebés deformados. Bombas de fragmentação israelitas que matam crianças libanesas. A lista é muito longa e não se convoca nenhuma cimeira mundial para saná-la.

    Quase tudo o que foi sujado pode ser limpo e recuperado, com esforço. A Europa já recuperou muitos lagos, rios e florestas. O alto nível de educação e uma consciência pública ambiental obrigou seus políticos a actuarem, sem deixar de ser uma grande potência industrial. O país mais contaminador com restos tóxicos são os Estados Unidos (que além disso produzem 30% do CO2 mundial), mas isso quase não se diz. O Pentágono contamina o mundo inteiro com a sua guerra sem fim e a partir de umas 800 bases, mas essas emissões não contam. Os Estados Unidos pedem em todas as negociações – Quioto ou Copenhaga – que a contaminação do Pentágono fique excluída, que não seja medida; por razões de segurança, naturalmente.
     


    A diabolização do CO2
     

    Mais uma vez a pureza do céu é assediada por um demónio. Mais uma vez o diabo é um anjo caído: o CO2, o gás com que a fotossíntese produz oxigénio. As plantas definham se o CO2 baixa a 220 ppm (3) e morrem com 160 ppm. O nível óptimo é cerca de 1000 ppm.

    O ar é uma mistura de gases, 78% de nitrogénio, 21% de oxigénio e 1% de outros gases, dentre eles o CO2. Essa ínfima parte de CO2 oscila com os oceanos: a água fria absorve CO2 e a água quente liberta-o. Os oceanos armazenam uns 25% do CO2 para plantas e seres marinhos. O CO2 é parte da respiração humana. Cuidado, que em breve nos cobram por respirar.
    Há uma campanha para culpar o CO2 por um aumento da temperatura terrestre. O trombeteiro mais notório desta acusação é Al Gore, que não é um cientista e sim um político norte-americano. O seu documentário "Uma verdade inconveniente" manipula a partir do próprio título. O seu erro mais claro é dizer que os mares aquecem devido às emissões de CO2, quando é o inverso: o mar primeiro aquece-se e a seguir emite mais CO2. É um facto básico conhecido e explica a coincidência das curvas ascendentes de temperatura e CO2. Receio que seja outro caso de etiquetar com o contrário para vender malfeitorias: uma mentira conveniente.

    Sabemos, desde a escola, que a temperatura terrestre flutua com as radiações solares. A vida existe porque há um "Efeito estufa" e o gás que mais o provoca é o vapor de água, as nuvens. A tese do "Aquecimento global gerado pelo homem"  parece explorar com fins políticos a simpatia daqueles que querem defender o ambiente da contaminação. Está a fabricar-se um pretexto para impor uma autoridade mundial que administre a utilização da energia fóssil, crie novos impostos, crie outro mercado de valores falso e desenvolva um mercado para bens ambientais com tecnologias das empresas apátridas. Enquanto isso, desvia-se a atenção da verdadeira poluição.

    Contradições desde a origem

    Em 1988 foi criado na ONU um "Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC)  que contratou um grupo de peritos. Em 1995 os peritos apresentaram um rascunho que dizia:

    "1. Nenhum estudo mostrou evidência de mudança climática devido a gases de estufa:

    2. Nenhum estudo refere-se a alguma mudança climática atribuível às actividades humanas".

    No Sumário para legisladores do relatório final do IPCC mudaram-se essas duas claras negações por uma afirmação que diz: "O balanço da evidência sugere uma influência humana discernível no clima global". Houve um grande escândalo. Os peritos contratados pelo IPCC ficaram indignados, muitos renunciaram e exigiram do IPCC que apagasse os seus nomes do Relatório Final.

    Milhares de cientistas assinam o seu desacordo com o relatório do IPCC. Algum pode ser que seja pago pelas petrolíferas, como dizem, mas têm bons argumentos. Todos dizem que tem havido mudanças globais de temperatura desde sempre. Houve épocas de gelo até os Alpes e outras quentes (900-1200) em que a gelada Gronelândia era verde e uma frota chinesa sulcou o Árctico. Outro argumento válido é que os astrónomos relatam um aumento de temperatura geral em todos os planetas, por uma maior actividade energética do Sol. Não parece culpa humana.
     


    O mercado do carbono

    É a ideia favorita de grandes empresas, bancos, políticos e algumas ONG. Uma autoridade mundial administraria um mercado de direitos de emissão de CO2. O volume de emissões legais seria o dos níveis históricos, ou seja, não se diminui, congela-se. Aqueles que ultrapassem o nível de emissões legal podem comprar títulos àqueles que emitem menos do que o permitido. A Europa tem algo assim com o nome de Sistema de Comércio de Direitos de Emissão (EU ETS). O presidente Sarkozy já anunciou impostos indirectos (sobre o consumidor) para o carbono.

    Congelar as emissões históricas é a essência da proposta. O desenvolvimento necessita energia e essa provém – hoje – de combustíveis fósseis que geram CO2 e também gases tóxicos. O mercado de carbono é um meio para travar os países em desenvolvimento e criar outra bolsa para jogar com as emissões de dólares sem fundos que contaminem a economia internacional.

    Pandemónio em Copenhaga

    O objectivo oculto da cimeira de Copenhaga era por um preço no CO2. Apresentou-se um papel já "negociado" com os países em desenvolvimento "cooperativos" de sempre. O acesso às reuniões hierarquizou-se. Admitiram-se só países representados por presidentes e excluíram-se os representados por ministros de Negócios Estrangeiros. Uma clara violação do direito internacional. Ainda assim, excluíram-se Hugo Chávez e Evo Morales, presentes em Copenhaga, por não serem "cooperativos".
    A seguir verificou-se algo para constar nos anais da má prática diplomática. O primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Rasmussen, com o documento na mão, ordenou aos países que o estudassem em uma hora, aprovassem-no e encerrassem a sessão. Levantou-se para ir embora, mas a Secretária convidou-o a ouvir as delegações que pediram a palavra. Deixou falar, mas só os de sempre.

    A delegada da Venezuela, Claudia Salerno, bateu inutilmente na mesa, pedindo a palavra. No fim, com a mão inchada, interpelou Rasmussen: "Será que devo ter sangue nas mãos para poder falar? Isto é uma vergonha". No fim deram-lhe a palavra. Seguiram-na Cuba, Bolívia e outras delegações do ALBA, todas recusando o documento.

    O sr. Rasmussen ouviu, sem tomar notas como faz todo presidente de uma reunião. A seguir veio a segunda gaffe, de repente: perguntou quantos estavam contra, para passar à votação. Mais uma vez a Venezuela o pôs no seu lugar e recordou-lhe que na ONU as decisões são tomadas por consenso. O sr. Rasmussen pediu uma pausa, da qual já não regressou. A reunião terminou presidida por um vice-presidente, das Bahamas, o qual fez o que é adequado: tomar notas no papel.

    Con
    clusão

    Combater a poluição é urgente. Assinalar o CO2 com o espantalho da "Mudança climática" parece uma fabulação destinada a controlar o CO2, que é controlar energia. Deseja-se criar um direito adquirido ao consumo de energia e o de negá-lo a outros. A OMC é exemplo do jogo com níveis históricos: aqueles que davam subsídios agrícolas antes podem continuar a dá-los e proíbe-se dá-los àqueles que produziam sem usar subsídios. Não estamos loucos e não esperamos um resultado diferente. Errare humanum est, perseverarem diavolicum. 


    por Umberto Mazzei do Instituto de Relações Económicas Internacionais, de Genebra.


    fonte: resistir.info
    Ver também




  • Mitos climáticos , Blog de Rui Gonçalo do Carmo Moura (1931-2010)
  • A falta de senso do consenso , Rui Moura
  • A fabricação do pânico climático , Rui Moura
  • A paranóia do dióxido de carbono , Rui Moura
  • Aquecimento global: uma impostura científica , Marcel Leroux (1938-2008)
  • A fábula do aquecimento global , Marcel Leroux
  • Aquecimento global: origem e natureza do alegado consenso científico , Richard S. Lindzen
  • Acerca da impostura global , Jorge Figueiredo
  • Arrefecimento global
  • A histeria do aquecimento global: Ar quente & dinheiro frio – os comerciantes do medo
  • A agenda oculta de Copenhaga: O comércio multibilionário em derivativos do carbono
  • Contra as mistificações do Relatório Climático da ONU
  • A histeria do aquecimentismo global: Ciência por intimidação
  • Adensa-se o escândalo dos impostores do aquecimento global
  • A falsificação da história climática a fim de "provar" o aquecimento global
  • O fim do aquecimento global
  • A verdade incómoda do profeta Al Gore & a incomodidade da verdade
  • Aquecimento global: Uma mentira conveniente
  • Climagate: O pior escândalo científico da nossa era
  • Se mais CO2 for mau... E daí?

  • "Sinto-me ludibriado quanto à mudança climática"




    PALESTINA, NÚMEROS DE UMA OCUPAÇÃO EXECRÁVEL


    Prensa Latina


    Cairo (Prensa Latina) A ocupação e o bloqueio dos territórios palestinos por parte de Israel, para além de sua inerente natureza espoliadora, revela a perversão de uma prática que anula o desenvolvimento e o autogoverno de um povo, causando-lhe prejuízos milionários.

    Discursos políticos em múltiplas tribunas mundiais, incluída a ONU, e iniciativas negociadoras dos países árabes e ocidentais, têm sido insuficientes para deter a lenta aniquilação dos palestinos na Cisjordânia ocupada e na sitiada Faixa de Gaza.

    A julgar por considerações de Tarik Alami, chefe de temas emergentes e conflitos da Comissão Econômica e Social da ONU para a Ásia Ocidental, uma primeira repercussão da usurpação territorial sionista é o obstáculo à auto-suficiência dos palestinos.

    Um relatório apresentado durante o recente seminário sobre o impacto econômico e social desta política sionista no Cairo expôs cifras estarrecedoras da repressão, uso da força, roubo de propriedades e ampliação de assentamentos judeus pelos israelenses, bem como o impacto nos recursos naturais e no meio ambiente.

    A economia da Autoridade Nacional Palestina (ANP) sofre anualmente perdas de sete bilhões de dólares por causa da ocupação, o que tem converteu esses territórios numa das economias mais dependentes de ajuda no mundo.

    A este respeito, o embaixador da ANP na ONU, Riyad Mansour, assinalou numa entrevista à Prensa Latina que o custo da dominação é facilmente quantificável, daí que, se essa política terminar, "seremos capazes de ser auto-suficientes e não precisaremos de ajuda externa".

    Os sete bilhões de dólares que a economia palestina perdeu em 2010 equivalem à quase totalidade do Produto Interno Bruto (PIB) anual, e esse dano foi produzindo privando os residentes na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza de utilizarem seus recursos naturais.

    Terra, água, minerais, gás natural, pesca e outras riquezas incluíram-se entre os recursos impossíveis de explorar pelos palestinos, de acordo com Mansour e de cifras aportadas pela ONU.

    Em termos de direitos humanos, 125 palestinos morreram e 2.144 foram feridos pelas forças de segurança e pelos colonos israelenses em 2011, quando mais de dois terços das baixas se produziram em fatos unidos à atividade nos assentamentos judeus.

    Segundo a ONU, no ano passado pereceram 16 crianças e outros 441 ficaram feridos por abusos israelenses, um dado que elevou a 1.351 a cifra de jovens mortos por soldados e colonos entre 2000 e 2011.

    Desde que se produziu a invasão, em 1967, até 2010 registraram-se mais de 760 mil detenções de palestinos por forças israelenses, incluídos 15 mil crianças, dos quais em média 192 estiveram em prisão em 2011 e ao menos 63 sofreram torturas ou doenças.

    Vale recordar que entre 500 e 700 menores palestinos são processados a cada ano em cortes militares de Israel, muitas vezes por participar em mobilizações contra as demolições de casas, uma prática intensificada agora em 80 por cento em relação a 2010.

    No mínimo, 21.200 palestinos ficaram sem suas moradias de 2004 até hoje como resultado das demolições, deles 620 viram serem demolidas suas residências em 2011, enquanto 1.094 foram forçados a se deslocarem e 4.164 sofreram afetações diretas.

    A esses dados referidos à Faixa Ocidental, é preciso acrescentar as 23.500 pessoas ainda sem teto em Gaza devido à impossibilidade de reconstruir 15 mil unidades habitacionais devastadas no enclave durante os bombardeios da Operação Chumbo Fundido (2008-2009).

    Em Jerusalém Oriental, a parte da cidade santa onde os palestinos aspiram converter em capital de seu futuro Estado, os árabes têm sido vítimas da expropriação de ao menos 23.378.000 metros quadrados desde 1968, e 390 derrubadas de casas desde 2004.

    As limitações para edificar nessa zona da cidade e a revogação de 13.115 permissões de residência para palestinos de 1967 a 2009, faz com que 60 mil pessoas estejam ameaçadas de se converterem em "sem tetos".

    Todos esses ataques ajudam a reforçar uma estratégia de "judaização" dos territórios árabes a partir da ampliação de assentamentos ilegais, segundo denunciaram especialistas durante uma conferência sobre Jerusalém, realizada no final de fevereiro no Qatar.

    As estatísticas da referida instância da ONU sustentam que até meados de 2010 viviam 517. 774 colonos em 144 assentamentos que a ONU tacha de ilegais, e em outros 100 bairros ou postos avançados fora dessas colônias, ilícitos inclusive pela lei israelense.

    Só a modo de exemplo, no ano passado a taxa de construção em assentamentos israelenses da Cisjordânia e de Jerusalém duplicou o nível das obras de construção dentro de Israel e os extremistas judeus utilizam estradas marcadas só para o acesso de israelenses.

    Na Ribeira Ocidental, o Estado sionista anexou 13 por cento do território, segue construindo um muro gigantesco que afeta 855 mil palestinos, mantém 33 mil presos entre essa cerca e a chamada Linha Verde e separou Jerusalém do resto da Cisjordânia.

    Cerca de 170 milhões de metros quadrados de terra fértil estão isolados pelo muro de segregação e os assentamentos despejam 40 milhões de metros cúbicos de águas residuais e dejetos sólidos anualmente em solo palestino.

    Até dezembro, contabilizaram-se 557 obstáculos, entre postos de controle militar, valetas, montículos de areia e outros meios para restringir o movimento de palestinos dentro de sua própria terra.

    Por causa da usurpação israelense, o PIB per capita em 2010 foi 30 por cento menor que em 2000, 22 por cento dos palestinos se sumiu na pobreza em 2009 e a taxa de desemprego cresceu a 24 por cento na primeira metade de 2011.

    Pelo menos 1,43 milhão de palestinos sofre insegurança alimentar, duas em cada três crianças em Gaza apresenta reação severa e moderada a traumas e o bloqueio impôs "sacrifícios inaceitáveis, escolhendo com frequência entre alimento, remédio ou água".

    A inacessibilidade a terras em Gaza causa à economia perdas de aproximadamente 75 mil toneladas métricas de produção potencial anual e a média de acesso a água fresca para consumo doméstico é de 73 litros por pessoa/dia na Cisjordânia e 52 na Faixa.

    Israel impõe uma zona de restrição de um a 1,5 quilômetro dentro do enclave de Gaza, negando aos palestinos o acesso a 35 por cento dos terrenos cultiváveis.

    E ainda, o bloqueio marítimo proíbe pescar para além de três milhas náuticas da costa do Mediterrâneo em Gaza, o que afeta diretamente 65 mil pessoas.

    A lista de problemas e indicadores sociais negativos derivados da ocupação israelense é extensa e, sobretudo, ilustrativa do drama de um povo que censura às maiores potências do mundo a seguirem usando dois pesos e duas medidas para abordar o conflito central do Oriente Médio.

    *Corresponsável da Prensa Latina no Egito
    fonte: Página Global