"Durante a Idade Média, a Europa foi abalada por grandes movimentos inspirados pela crença de que a história ia acabar e nasceria um novo mundo. Esses cristãos medievais acreditavam que só Deus podia conduzir ao novo mundo, mas a fé no Tempo Final não se desvaneceu quando começou o declínio do cristianismo. Pelo contrário, enquanto o cristianismo vacilava, a esperança de um Tempo Final iminente tornou-se mais forte e mais militante.
Revolucionários modernos como os jacobinos franceses e os bolcheviques russos detestavam a religião tradicional, mas a sua convicção de que os crimes e as loucuras do passado podiam ser ultrapassados numa transformação omniabrangente da vida humana foi uma reencarnação secular das crenças cristãs primitivas. Esses revolucionários modernos eram expoentes radicais do pensamento iluminista, que visava substituir a religião por uma visão científica do mundo. Todavia, a radical crença do Iluminismo de que pode haver uma súbita interrupção da história, após a qual os defeitos da sociedade humana serão abolidos para sempre, é um subproduto do cristianismo.
As ideologias iluministas dos séculos passados foram uma teologia muito espalhada. A história do século passado não é um conto de progresso secular, como os bem-pensantes da direita e da esquerda gostam de pensar. As tomadas do poder pelos bolcheviques e pelos nazis foram tanto levantamentos baseados na fé como a insurreição teocrática do aiatola Khomeini no Irão. A própria ideia de revolução como acontecimento transformador na história deve-se à religião. Os movimentos revolucionários modernos são uma continuação da religião por outros meios.
Não foram só os revolucionários que sustentaram versões seculares das crenças religiosas. Também os humanistas liberais, que vêem o progresso como uma lenta luta gradual, o fizeram. A crença de que o mundo vai acabar e a crença no progresso gradual parecem contrárias – uma à espera da destruição do mundo, a outra à espera do seu melhoramento –, mas, no fundo, não são tão diferentes como isso. Apregoem elas a mudança parcelada ou a transformação revolucionária, as teorias do progresso não são hipóteses científicas. São mitos que respondem à necessidade humana de sentido.
Desde a Revolução Francesa, uma sucessão de movimentos utópicos transformou a vida política. Sociedades inteiras foram destruídas e o mundo mudou para sempre. A alteração que os pensadores utópicos anteviram não se deu e, na sua maioria, os seus projectos produziram resultados contrários aos visados. Isso não impediu que voltassem a ser repetidamente lançados projectos semelhantes até ao início do século xxi, quando o estado mais poderoso do mundo lançou uma campanha para exportar a democracia para o Médio Oriente e para todo o mundo.
Os projectos utópicos reproduziram mitos religiosos que, na Idade Média, tinham inflamado movimentos maciços de crentes, e desencadearam violência semelhante. O terror secular dos tempos modernos é uma versão mutante da violência que tem acompanhado o cristianismo ao longo da sua história. Durante mais de 200 anos, a primitiva fé cristã num Tempo Final iniciado por Deus foi transformada numa crença de que a Utopia podia realizar-se por meio de acção humana. Com roupagens científicas, os mitos cristãos iniciais do Apocalipse deram lugar a uma nova espécie de violência baseada na fé.
Quando o projecto da democracia universal acabou nas ruas ensanguentadas do Iraque, este modelo começou a ser invertido. O utopismo sofreu um rude golpe, mas a política e a guerra não deixaram de ser veículos do mito. Em vez disso, versões primitivas de religião estão a substituir a fé secular que se perdeu. A religião apocalíptica molda as políticas do presidente norte-americano George W. Bush e do seu antagonista Mahmoud Ahmadinejad, no Irão. Seja onde for que esteja a acontecer, o renascimento da religião está misturado com conflitos políticos, incluindo uma luta que se intensifica por causa das reservas de recursos naturais da Terra, que estão a diminuir; mas não pode haver dúvida de que a religião é mais uma vez um poder por direito próprio. Com a morte da Utopia, a religião apocalíptica reemergiu, nua e sem adornos, como uma força na política mundial."
Excerto do livro A Morte da Utopia e o Regresso das Religiões Apocalípticas
John Gray

26 comentários:
CIA admite usar serviços noticiosos para manipular população dos Estados Unidos
http://theintelhub.com/2012/02/27/cia-controlled-media-cia-admits-using-news-to-manipulate-the-usa/
Muito interessante o seu blog.
A frase dizendo que a Terceira Guerra começou há 55 anos, chama muita aten~ção, vou ler mais seu blog.
Desenvolvi um também,se quiser entrar www.ianoticia.blogspot.com
Um abraço
estive a ler...
esta tanga da religião poder vir a substituir o pensamento racional parece-me ser um bocado conversa da treta... embora isso possa ser aplicável a uns bons 50 por cento dos bimbos das middlands norte-americanas... mas esses tipos não são representativos da civilização ocidental
O que falta aqui é demolir os meis de manipulação, noticiosos, religiosos ou politicos banha da cobra
xatoo,
Obrigada pelo link. Irei divulgar.
Entretanto e por falar nos media da treta, passe neste blogue e veja isto:
http://paramimtantofaz.blogspot.com/2012/02/lockerbie-mas-o-lumena-raposo-afinal.html
Não é preciso dizer que é o blogue de um jornalista... de investigação... mas deve fazer isso fora do horário de trabalho, senão... Zás!
Tenha atenção aos interessantes comentários e os links que deixaram.
Um abraço.
Olá!
Gostei desta ideia da religião. Acho ser importante não confundir as religiões conhecidas com o conceito geral de religião. E neste sentido, faz sentido (bonita esta frase, vou anota-la).
Se não gostarmos da palavra "religião" podemos substitui-la com "filosofia", que não fica muito longe. Mas a ideia de base permanece: "um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo", como afirma Wikipedia.
A Guerra ao Terror como dogma inspirador do Século Americano (que século pelo visto não será). A religião como alicerce daquela parte do mundo por muito tempo explorada (a islâmica) e que agora tenta encontrar um catalisador comum para a revolta.
Em qualquer caso: algo de apocalíptico e desconhecido. Não deve ser por acaso se estas ideias voltam no nosso tempo: com uma velha ordem em pedaços, estamos provavelmente perante o nosso Ano Mil.
E, como no Ano Mil, haverá profetas de desgraça, saudosos dos tempos que agora vão acabar. "Temos que ficar pobres agora para enriquecer depois" (lema bem conhecido na Europa destes dias) não é muito diverso do "Temos que fazer penitência agora para entrar no Reino do Céu depois". Mudam as formas mas a substância é a mesma.
Eu profeta de desgraça não sou: é difícil que a próxima sociedade possa ser tão injusta como a actual. Por isso: moderado optimismo.
Mas para lá chegar temos de atravessar um deserto ainda comprido. E de oásis nem a sombra.
Abraço!
essa anotação do Max de que "a religião não anda muito longe da filosofia" é bué da porreira...
quer dizer, a religião é o acreditar em crenças irracionais imaginadas por processo mental do homem face ao medo
a Filosofia, diametralmente ao contrário é o estudo das causas racionais que movem a acção do homem na direcção do progresso, por exemplo, Aristóteles: "o homem é um animal social"
nos antípodas temos a merda da alienação religiosa: "faz o bem ao próximo que Deus te recompensará quando fores para o Céu" (para onde??)
Para dar crédito à trampa religiosa é necessário acreditar, por exemplo, em serpentes que falam: a que ofereceu a maçã a Eva no Paraiso, que é uma coisda divertidissima, mas não pode ser considerada séria, muito menos cientifica
Então estão prontos...
http://apodrecetuga.blogspot.com/2012/03/como-organizar-uma-revolucao-sem.html
Amiga Fada, quer fazer referência a um grande homem?
http://thomassankara.net/spip.php?article160&lang=fr
Os da Mo(SS)çada por onde andam:
http://spookterror.blogspot.com/
O homem de Lockerbie:
http://spookterror.blogspot.com/2008/11/monzer-al-kassar.html
Então parece que foi mais de dentro:
http://spookterror.blogspot.com/search?updated-max=2012-01-16T03:21:00-08:00
Olá!
"é o estudo das causas racionais que movem a acção do homem na direcção do progresso"
Xatoo, só podes estar a gozar comigo. Filosofia é uma coisa, religião comunista é outra.
Abraço.
argumentar com expressões como "religião comunista" é coisa de atrasado mental
Olá,
Obrigado pelo comentário. Eu vou retirar a moderação nos comentários, na realidade este recurso já estava. O meu blog tem 5 dias, graças aos amigos, está crescendo, está tudo muito rápido.
Muito obrigado pelo conselho. Grande Abraço
www.ianoticia.blogspot.com
Olá Xatoo?
Só isso? Insultar? Não consegues fazer melhor?
Então não vale a pena. Volta para a tua Bíblia, o Capital, com os santinhos Marx, Lenin e companhia, eu volto para mundo real.
Adeus.
Amiga Fada do Bosque, meus amigos,
Discordo na sua quase totalidade com as teorias deste livro.
Não acho que "a própria ideia de revolução como acontecimento transformador na história deve-se à religião".
Talvez por ser um ateu convicto, acredito no ser humano como factor de desenvolvimento, bastando-se a ele próprio, não necessitando de qualquer crença religiosa.
As revoluções que poderão conduzir a um mundo melhor podem não ser um fim abrupto da história, mas uma etapa de progresso. Claro que existiram movimentos revolucionários tão dogmáticos quanto os religiosos, mas nem todos são utópicos e não são reprodutores de mitos religiosos.
Acredito que os princípios éticos humanos são filosóficos e não necessitam de qualquer princípio religioso para os sustentar.
As utopias são os motores que permitiram transformar a nossa sociedade, e o permitirão, não têm de ser forçosamente fracturantes e muito menos apocalípticas ou teológicas.
Um abraço
Como me parece quase impossível resumir em menos palavras aquilo em que consiste a "democracia" americana, deixo aqui um comentário encontrado no blogue Question Everything. O seu autor assina como Bruce.
JMS
The US is a militarist-imperialist, rentier-oligarchic corporate-state owned by the top 0.1-0.4% of US households by net wealth and income (nearly 50% of income and 85% of financial wealth is held by the top 10% of US households). The only “democracy” that exists is among the rentier-oligarchic caste and marginally at the local level.
“Leadership” power of Anglo-American empire is hierarchical and highly concentrated, similar to the corporate management structure, which is akin to military command-and-control structure. Corporate and military leaders are not chosen by the workers and the enlisted personnel.
The bottom 90% of the 312 million US population has no power to choose national political, corporate, and military “leaders”. “Elections” are mere spectacle intended to legitimate the hierarchical power structure.
Presidents are selected by the rentier-oligarchic banking and insurance, war profiteering, energy, and media-entertainment syndicate.
Obama’s “selection” as corporate-state CEO and chief marketing executive for Anglo-American empire was perhaps the culmination of mass-media, mass-popular psycho-emotional manipulation and corporate-state propaganda. We should expect nothing less than much more of the same hereafter.
To discuss what kind of imperial leadership we would like presupposes, quite naively, that we among the bottom 90-99%+ have an actual “choice” in selecting those who would “lead” us; we don’t.
Durable “change” for the betterment of individuals will occur (should it occur) organically at
the household, community, and local institutional level via uniquely suitable self-organizing “chaos” or “novelty” at self-sustaining scale of population, resources, and consumption.
The larger superstructure of empire is a debilitating cost to local “novelty” and effective self-organization at self-sustainable local scale.
Therefore, voting for national “leaders” is an affirmation of the command-and-control system and a vote to sustain the imperial superstructure and its burdensome costs.
***
I would add to the above that the so-called “leaders” are demonstrably sociopaths and arguably insane; but they are but reflections of the mass insanity that produces, affirms, and rewards them.
Mass insanity is the normative condition of human ape society. One cannot be well adjusted to mass insanity without being likewise insane.
What other than insane outcomes would one expect?
Thus, which insane “leader” should we “choose” this time?
Fada
Deixei no xatoo um recado para si,mas vou deixar aqui também.
Como sabe o meu mail, emailme.
Bjocas
Não vou aqui discutir religião e/ou filosofia...
Ao contrário do dr. Octopus, acredito profundamente que a religião foi e é um motor para a guerra. Acredito que se servem do medo/emoção para destruir a força e a coragem do colectivo. A emoção destrói a razão,
Acredito também (e não sou crente) que uma nova religião está a ser imposta a nível mundial e baseia-se no medo da extinção da nossa espécie. Um medo intrínseco que que o homem tem pelas FORÇAS da NATUREZA desde os seus primórdios está a ser promovido através da "ECOLOGIA". O aproveitamento desta ciência está apenas no início. Veremos como se desenvolverá nos próximos anos. Provavelmente faz já parte da engenharia social.
Colateralmente temos o New Age, uma miscelânea de disparates difundidos pelos Media e por toda a imprensa, senão vejamos:
«No final do séc XX uma nova corrente filosófica surgiu: A filosofia ecologista ou ecofilosofia(...)
(...)Vemos já em campos específicos os primeiros frutos, por exemplo em "movimentos alternativos" que põem a tónica num pensamento global e trabalham para um novo estilo de vida. Todavia em tudo o que os homens fazem, temos de separar o trigo do joio. Os movimentos New Age são apenas um disparate. "Neo-religiosidade", "neo-ocultismo", "superstição moderna" invadiram o Mundo, as novas ofertas no mercado de concepções de vida aparecem como cogumelos.
Se entrarmos numa livraria verificamos que há várias secções que se dedicam a estes temas, como exemplos: NEW AGE, ESTILOS DE VIDA ALTERNATIVOS, MISTICISMO. Nas estantes há livros com títulos muito empolgantes: "Haverá vida álem da Morte?", "Os segredos do espírito", "Tarot", " O fenómeno Ovni", " A reencarnação" "O Segredo dos deuses", "O que é a astrologia?". Recolhem-se experiências inexplicáveis e resumem-se todas num livro que aparenta ser importante material de prova.»
Concordo consigo dr Octopus quando diz que o homem se basta a si próprio, mas enquanto uns negam as religiões, outros aderem a novas.
Embora não concorde com certas ideias de Jonh Gray, neste livro, considero que o milenarismo cristão, bem como a sua escatologia inerente (fim dos tempos) estão por trás destas guerras ao Médio Oriente e não só.
Entretanto e porque falou em Ética, vale a pena ver ao nojo a que certos humanos chegaram:
Neste sentido é significativo que se tenha publicado num jornal de ética médica (?????) esta coisa! Coisa é eufemismo porque aquilo é ranço asqueroso. Desde logo, porque ao contrário que alguns hipócritas dizem, a começar pelo próprio editor daquele vomitório em forma de jornal, o texto não se limita a fomentar uma discussão académica e científica (?????). O texto toma partido. O texto defende que é moralmente aceitável MATAR RECÉM NASCIDOS! O texto defende o assassínio a frio de um ser que não tem culpa, não é hostil e não se consegue defender. E para tal bastará que a Mãe, não tendo condições para sustentar o seu Filho, se sinta “damaged” por entregá-lo para adopção.
http://aventar.eu/2012/03/02/nojo/
Um abraço.
Dr. Octopus, fui à fonte e veja bem o que dizem... "Second, we do not claim that after-birth abortions are good alternatives to abortion. Abortions at an early stage are the best option, for both psychological and physical reasons. However, if a disease has not been detected during the pregnancy, if something went wrong during the delivery, or if economical, social or psychological circumstances change such that taking care of the offspring becomes an unbearable burden on someone, then people should be given the chance of not being forced to do something they cannot afford."
Não queria mudar de assunto, mas se isto é ética, a humanidade não vai longe na busca e prossecução da utopia.
Olá Octopus!
Não sou uma pessoa religiosa, não no sentido comum do termo: tenho as minhas convicções, não sei se podem ser definidas como "religião" nem estou interessado nisso.
Mas acho que não reconhecer à religião um papel fundamental na história do Homem seja um erro que inviabiliza uma correcta leitura do passado.
Quando o Homem perguntou : "O quê sou eu, o quê faço aqui?", eis que nasceram a filosofia dum lado e a religião do outro. A filosofia é a pesquisa, a religião é uma das respostas possíveis, talvez a mais simples e directa. Não acaso a religião foi uma das primeiras expressões humanas, juntamente com a música.
É fácil atirar contra a religião, e muitas vezes com plena razão. Mais complicado é tentar perceber porque o Homem sempre precisou dela. Até hoje.
E aqui realço quanto afirmado pela Fada: há uma nova religião, feita não de padres fardados mas de dogmas.
Os princípios éticos humanos são filosóficos e não necessitam de qualquer princípio religioso? Concordo em pleno: mas o que achamos nós conta até um certo ponto. O que conta é a realidade; e aqui a história é diferente.
Faço minha as palavras de Fada. Há uma nova religião que anda no mundo fora: uma religião sem igrejas, sem padres fardados. Mas com dogmas contra os quais é difícil argumentar.
O dogma do terrorismo, por exemplo, que "justifica" (com muitas aspas...) a cruzada do Ocidente contra o mundo islâmico.
Ou a New Age, ainda mais subtil e perversa.
Porque é nas alturas mais escuras que o Homem procura ajuda na religião. E se alguém conseguir explorar esta fraqueza...
Abraço!
Para confirmar o medo da extinção fui buscar este parágrafo ao filósofo(?) Leonardo Boff no artigo:
Como enfrentar a sexta extinção em massa?
«(...)No meio do antropoceno, urge inaugurar a era ecozóica que coloca o ecológico no centro de nossas atenções. Só assim há esperança de salvar nossa civilização e de permitir a continuidade de nosso planeta vivo.»
Penso que isto diz tudo, pois o Planeta seria um planeta vivo, mesmo após a nossa extinção. Aliás até teria uma vida mais saudável. Por muitas vidas ou espécies que o humano extinga, o Planeta recompõe-se
Em todo o artigo não falou o quanto urge retornar a uma vida, greária, local e não globalizada, o homem não pode viver bem numa super estrutura global... Não é um ser feito para uma (super)organização como as formigas, pois não nasce com um papel pré estabelecido.
Quem está por detrás de Boff? Ecologistas norte americanos, pelo menos, cita-os. Claro que os comentários... são de pânico...
Leonardo Boff é autor com Mark Hathaway de O Tao da Libertação: explorando a ecologia da transformação, Vozes 2011.
Fonte: leonardoBOFF.com
O que se passa é que é profundamente retrógado estarmos prá qui a suscitar debates em termos de religião
É um facto inegável a influência que a religião teve em termos históricos: Mas o Iluminismo, , nomeadamente a filosofia alemã (Hegel, Bruno Bauer, Engels) os enciclopedistas franceses (Voltaire, D`Alembert, d`Holbach) e os homens da Ciência (antes Copérnico, depois Darwin, Newton, Planck), puseram um fim em termos de ciências da Natureza ao fetichismo religioso. Ainda na Inglaterra de Cromwell o partido da V Monarquia fazia politica ameaçando os opositores com a vinda de um novo Cristo nos termos do livro de Daniel, o Apocalipse, mas depois do século XVIII, a chamada Idade da Razão a partir da Revolução Francesa, já ninguém no seu perfeito juízo acreditava nessas patranhas: Não quer dizer que não subsistissem e subsista ainda uma boa dose de ignorantes na sociedade, mas as Revoluções que mudaram o mundo nunca foram feitas por essas massas de imbecis , crentes e manipuláveis, mas sim pelos sectores intelectuais mais avançados da sociedade. Estar a chamar de novo a religião como um factor na equação do desenvolvimento humano é estar a dar trunfos aos poderes mais obscuros e reacionários...
E fico deveras estupefacto quando vejo um desses cretinos atrever-se a intervir em foruns que questionam cientificamente a verdade, quando nem sequer se enxergam a eles próprios, quanto mais ao que lhes assopram em redor da moleirinha
xatoo, as Revoluções, não, as guerras sim.
O xatoo esqueceu-se de nomear Stirner, o homem tão "querido" de Marx e Engels. Foi Max Stirner quem anunciou ao mundo, em 1845, que Deus está morto. Por isso extraí da crítica ao pensamento hegeliano, neste caso a Stirner, este pequenino excerto:
«Sim, sómente na Alemanha, na Alemanha, desejaria viver eternamente»
O resultado obtido, em Berlim, pelo nosso intrépido santo - O mundo inteiro submerso na filosofia hegeliana - permite-lhe fundar agora, sem grande esforço, o seu "próprio" império mundial. A filosofia hegeliana metamorfoseou tudo em pensamentos, em "sagrado", em fantasmas, em espíritos, em visões. "Stirner" vai combatê-los, e vencê-los na sua imaginação para fundar, sobre os seus cadáveres, o seu "próprio", "único", "corporal", o império do "índivíduo inteiro". (...)
Eis Stirner de "botas calçadas e disposto a levar a cabo" o combate contra os pensamentos. Quanto ao "escudo da fé" não precisa de "empunhá-lo", pois nunca o largou. Armado com o "elmo" do infortúnio e com a "espada" da ausência de espírito (Ibidem), parte para a guerra. "E foi-lhe permitido declarar guerra ao sagrado, mas não vencê-lo".
(Apocalipse segundo S. João, 13.7).
Marx e Engels
In a Ideologia Alemã I
Adorei a crítica de Marx e Engels a Hegel e especialmente, a Bruno Bauer e Max Stirner.
Quanto ao falar em religião... pode até ser retrógrado, mudemos pois o termo para dogma.
Quanto aos homens da ciência e intelectuais... ou são silenciados pela máquina que muitos deles ajudaram a criar (MEDIA), ou eliminados e claro está, que uma grande maioria é formado pelas Fundações que moldam o pensamento colectivo científico ocidental, quase na sua generalidade.
Não é preciso ficar zangado xatoo... eu coloquei este texto para debate!
não estou zangado (lol) a flechada era direitinha para esse palerma do Max 1 de Março 20:31
peço desculpa por ter abusado do teu bloque para desopilar, mas não suporto carneiros mal tosquiados ideologicamente
Amiga Fada do Bosque,
Houve aqui um mal-entendido, nunca disse que "a religião não foi e é um motor para a guerra", não podia estar mais de acordo. O que eu disse é que para mim a religião não é um motor para uma revolução na transformação da sociedade em algo melhor, dado que é baseada em teorias e livros fantasiosos.
Actualmente existem várias formas dogmáticas como o New Age e certas vertentes da ecologia que funcionam como verdadeiras religiões.
Acho inacreditável que se possa defender, ainda para mais com razões pseudocientíficas, matar recém-nascidos.
Por fim, prezo demasiado o Max e o Xatoo para assistir a comentários que roçam o insulto. Posso não concordar com algumas das vossas ideias, como frequentemente muita gente não concorda com as minhas, mas é também no contraditório que nos enriquecemos.
Um abraço
Caro amigo Dr. Octopus,
Pelo que vejo, houve má interpretação minha. Não consigo afirmar se o ideal de uma humanidade perfeita terá as suas raízes em crenças religiosas, mas, a ciência crê que consegue chegar a esse fim. Os eugenistas tiveram o seu período áureo no nazismo de Hitler e nos bolcheviques russos. A eugenia não desapareceu, está num estado "latente", disfarçada de genética, e irá revelar-se dentro em pouco, mais devastadora do que nunca. Já começa a dar os seus sinais há umas décadas.
Quanto á guerra santa de que fala Gray, parece-me ser real, senão e se tiver tempo, dê uma vista de olhos nos comentários deste blogue, por exemplo... um dos mais antigos e frequentados da net:
http://movv.org/2012/03/01/sobre-a-iminente-guerra-irao-israel/#comments
Concordo com Gray, especialmente quando afirma:
"Quando o projecto da democracia universal acabou nas ruas ensanguentadas do Iraque, este modelo começou a ser invertido. O utopismo sofreu um rude golpe, mas a política e a guerra não deixaram de ser veículos do mito. Em vez disso, versões primitivas de religião estão a substituir a fé secular que se perdeu. A religião apocalíptica molda as políticas do presidente norte-americano George W. Bush e do seu antagonista Mahmoud Ahmadinejad, no Irão. Seja onde for que esteja a acontecer, o renascimento da religião está misturado com conflitos políticos, incluindo uma luta que se intensifica por causa das reservas de recursos naturais da Terra, que estão a diminuir; mas não pode haver dúvida de que a religião é mais uma vez um poder por direito próprio. Com a morte da Utopia, a religião apocalíptica reemergiu, nua e sem adornos, como uma força na política mundial."
Para mim, Jonh Gray fala da morte da utopia... referindo-se à morte da democracia universal, de uma sociedade justa a nosso ver (ocidentais) a nível mundial. Algo de que todos nos estamos a aperceber e que está na realidade a acontecer no Ocidente... a democracia não se impõe e se realmente existiu democracia, está em perigo de desaparecer.
Um grande beijo. Bem haja.
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